Justiça vai leiloar terreno do Pinheirinho

É com grande tristeza que recebemos a notícia do site da revista Caros Amigos de que a justiça, sete meses após a violenta desocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), vai leiloar o terreno e usar parte da verba para pagamento da dívida da empresa Selecta, do empresário e especulador financeiro Naji Nahas. De acordo com reportagem de Beatriz Rosa, veiculada no jornal “O Vale”, a massa falida da Selecta, proprietária do terreno onde viviam cerca de 1.700 famílias, está sob a responsabilidade do juiz Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, da 18ª Vara Cível.
Foto de Cláudio CapuchoA pedido de O VALE, o especialista em avaliação de terreno, José Silvio da Costa Manso, fez uma avaliação informal da área.
Segundo ele, a estimativa é que o valor do metro quadrado naquela região varie de R$ 80 a R$ 100. Assim, a gleba valeria de R$ 108 milhões a R$ 136 milhões, respectivamente.

É a última área nobre da zona sul, bem localizada e que pode receber condomínios residenciais ou industriais. As grandes construtoras certamente estarão de olho”, disse Manso.

De acordo com informações da Justiça publicadas no jornal, o terreno onde caberiam 138 campos de futebol irá a leilão, em data ainda a ser definida, pelo valor de R$ 187 milhões, que serão usadas para pagamento de credores da Selecta, que são a Prefeitura de São José e o governo federal – R$ 17 milhões são dívidas em impostos com o município e R$ 11 milhões com a União. Ainda de acordo com o jornal, a Lei de Zoneamento para a região onde está Pinheirinho define como de uso industrial, como fábricas e galpões. O edital do leilão será publicado dia 26 desse mês de agosto e ocorrerá apenas no fim de setembro ou começo de outubro na Casa Sodré Santoro, em São Paulo – está vedada a participação de empresas públicas, segundo declaração ao jornal do advogado da Selecta, Sidney Palharini Júnior.Desde que foi desocupado, o terreno permanece abandonado e com o entulho que sobrou da ação policial e da Prefeitura.

Ao escutar a liderança do Pinheirinho e seu advogado, a reportagem de O Vale destaca que para Valdir Martins, o Marrom o destino justo do terreno seria a desapropriação por parte do governo federal. Já o advogado Antonio Donizete Ferreira, o Toninho, criticou o leilão do terreno. Segundo ele: “existem dúvidas jurídicas sobre a ação de reintegração de posse que ainda correm na Justiça. Eles têm pressa em vender a área porque há ilegalidades na desocupação”, disse. Para Ferreira, o desfecho do caso só privilegia o megaespeculador Naji Nahas.

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